Galerinha,
É o seguinte:
O trabalho sobre o conto "A cartomante" deverá ser feito em grupo de 4 a 6 pessoas.
Deve ser digitado.
Data de entrega: 26/6
Valor: 2,0 pontos.
Sobre o exercício de morfossintaxe:
Valor: até 1 ponto extra
Todos que quiserem podem fazê-lo.
Data de entrega: 26/6
Vocês podem imprimir o arquivo e responder na folha impressa. Responder a caneta.
Beijos.
Profª Delma
"Mestre não é sempre quem ensina, mas de repente quem aprende." (Guimarães Rosa)
domingo, 23 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Exercício para ponto extra
Exercícios de Morfossintaxe
Leia o texto abaixo, escolha cinco orações e depois faça a análise morfossintática destas.
Leia o texto abaixo, escolha cinco orações e depois faça a análise morfossintática destas.
Pardalzinho
Manuel Bandeira
O pardalzinho nasceu
Livre. /Quebraram-lhe a asa./
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos./
Foram cuidados em vão:/
A casa era uma prisão,/
O pardalzinho morreu./
O corpo Sacha enterrou
No jardim; /a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!/
Manuel Bandeira
O pardalzinho nasceu
Livre. /Quebraram-lhe a asa./
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos./
Foram cuidados em vão:/
A casa era uma prisão,/
O pardalzinho morreu./
O corpo Sacha enterrou
No jardim; /a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!/
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2. Classifique o sujeito dos verbos destacados, de acordo com o seguinte código:
A) sujeito simples
B) sujeito composto
C) sujeito indeterminado
D) oração sem sujeito
E) sujeito implícito
I. Um pouco mais à frente, observei um movimento inusitado de pessoas. ( )
II. A cárie e os preços dos dentistas destroem a boca do brasileiro. ( )
III. Desta vez cercaram a classe média: menos salário, mais inflação. ( )
IV. O ribeirão mudou de tom. ( )
V. Já faz alguns anos que Bergman vem sendo criticado pelos amantes do cinema. ( )
3. Dê a função sintática dos termos destacados nas orações abaixo:
a) Os reféns foram libertados pelos sequestradores. ______________________________
b) A empreiteira entregou a obra com atraso. ___________________________
c) Os cientistas desconfiaram das informações. __________________________
d) Os políticos da oposição pressionaram o governo. ___________________________
e) Os ecologistas protestaram contra a queima da floresta. ______________________
f) Sua resposta foi ofensiva ao povo. _____________________
g) A cidade dormia quieta. ___________________
h) O júri considerará péssimo o excelente candidato._________________________
i) A dona da pensão, uma velhota de cabelos desbotados, elogiou a moça. _________________________
j) Os jogadores andam pelo gramado cansados. ______________________
k) Acorda, Maria, é dia de festival.
m) O senhor dá licença de um aparte, seu José? ________________________
4. Nas questões que seguem, ocorrem duas orações distintas: uma com predicado verbal, outra com predicado nominal.
Transforme as duas numa só, com predicado verbo-nominal.
a) O dia amanheceu. O dia estava cinzento.
_____________________________________________________________
b) O menino fugiu da surra. O menino estava assustado.
_____________________________________________________________
c) Márcia e Francisco casaram-se. Eles estavam contrariados.
______________________________________________________________
d) A menina abriu os olhos. A menina estava pasmada.
______________________________________________________________
5. Leia o texto abaixo atentamente:
Quando hoje eu acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
Manuel Bandeira
a) Retire do texto a frase cujo verbo, geralmente intransitivo, está empregado transitivamente no poema:
___________________________________________________________________
b) Dê a função sintática dos termos destacados no texto.
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TRABALHO EM GRUPO SOBRE O CONTO
“A CARTOMANTE”
A Cartomante - Machado de Assis
Hamlet
observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa
filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa
sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera
consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
—
Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que
fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse
o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de
uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas,
combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse,
mas que não era verdade...
—
Errou! interrompeu Camilo, rindo.
—
Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa.
Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
Camilo
pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito,
que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum
receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que
era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...
—
Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
—
Onde é a casa?
—
Aqui perto, na Rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa;
eu não sou maluca.
Camilo
riu outra vez:
—
Tu crês deveras nessas cousas? perguntou-lhe.
Foi
então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia
muita cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência;
mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela
agora estava tranqüila e satisfeita.
Cuido
que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também
ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de
crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que
deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele,
como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo
depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não
poderia dizê-lo, não possuía um só argumento: limitava-se a negar tudo. E digo mal,
porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério,
contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
Separaram-se
contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não
só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes,
e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa
do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de
Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde
residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da
cartomante.
Vilela,
Camilo e Rita, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação das origens. Vamos
a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de
magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria
vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe
lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província,
onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir
banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a
bordo recebê-lo.
—
É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é
seu amigo, falava sempre do senhor.
Camilo
e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou
de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido.
Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e
interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte
e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o
parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e
prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a
natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem
intuição.
Uniram-se
os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e
nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela
cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do
coração, e ninguém o faria melhor.
Como
daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar
as horas ao lado dela, era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas
principalmente era mulher e bonita. Odor di feminina: eis o que ele aspirava
nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros,
iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam
às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as
cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita
vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes
insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente
e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que
ele pôde ler no próprio coração, não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho.
Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha
caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos
ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o
cercam.
Camilo
quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando
dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o
veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos,
desejos, tudo sentiu de mistura, mas a batalha foi curta e a vitória delirante.
Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram
ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos,
sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do
outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
Um
dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido,
e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar
as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências.
Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou
astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode
ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de
diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
Foi
por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para
consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante
restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez.
Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas,
tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de
algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas,
formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem
papel; só o interesse é ativo e pródigo.
Nem
por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela,
e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
—
Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com as das cartas
que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
Nenhuma
apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando
pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso
deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o
marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio
particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar
asuspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas.
Combinaram os meios de se corresponderem , em caso de necessidade,
e separaram-se com lágrimas.
No
dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de
Vilela:"Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Era
mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais
natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria
especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele
combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
—
Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os
olhos no papel.
Imaginariamente,
viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela
indignado, pegando da pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e
esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo,
e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho,
lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse
tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos
parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da
própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora
tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um
pretexto fútil, viria confirmar o resto.
Camilo
ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam
decoradas, diante dos olhos, fixas, ou então, — o que era ainda pior, — eram-lhe
murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. "Vem já, já, à nossa casa;
preciso falar-te sem demora." Ditas assim, pela voz do outro, tinham um
tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da
tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria
passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a
cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a
precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéia, vexado de si mesmo, e
seguia, picando o passo, na direção do Largo da Carioca, para entrar num
tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
"Quanto
antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim..."
Mas
o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não
tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi
teve de parar, a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em
si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que
ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi,
ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele
desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando
todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua.
Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
Camilo
reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária,
e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as
velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar à primeira
travessa, e ir por outro caminho: ele respondeu que não, que esperasse. E
inclinava-se para fitar a casa...
Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe
passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu,
reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as
asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens,
safando a carroça:
—
Anda! agora! empurra! vá! vá!
Daí
a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em
outras cousas: mas a voz do marido sussurrava-lhe a orelhas as palavras da carta:
"Vem, já, já..." E ele via as contorções do drama e tremia. A casa
olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar . Camilo achou-se diante de
um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A
voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários: e a mesma frase do
príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: "Há mais cousas no céu e na
terra do que sonha a
filosofia... " Que perdia ele,
se... ?
Deu
por si na calçada, ao pé da porta: disse ao cocheiro que esperasse, e rápido
enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos
pés, o corrimão pegajoso; mas ele não, viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não
aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe
o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas.
Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo
entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura.
Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado
dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava
do que destruía o prestígio.
A
cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas
para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo.
Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto
as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo
dos olhos. Era uma mulher de quarenta
anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três
cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
—
Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
Camilo,
maravilhado, fez um gesto afirmativo.
—
E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma cousa ou não...
—
A mim e a ela, explicou vivamente ele.
A
cartomante não sorriu: disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das
cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as
bem, transpôs os maços, uma, duas. três vezes; depois começou a estendê-las.
Camilo tinha os olhos nela. curioso e ansioso.
—
As cartas dizem-me...
Camilo
inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não
tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro,
ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela: ferviam invejas e
despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita... Camilo
estava deslumbrado. A cartomante
acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
—
A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima
da mesa e apertando a da cartomante.
Esta
levantou-se, rindo.
—
Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...
E
de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se
fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda,
sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las
e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa
mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair,
não sabia como pagasse; ignorava o preço.
—
Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar
buscar?
—
Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
Camilo
tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O
preço usual era dois mil-réis.
—
Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor.
Vá, vá, tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
A
cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com
um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava
à rua, enquanto a cartomante, alegre com a paga, tornava acima, cantarolando
uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.
Tudo
lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava
límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou
os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é
que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que
fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
—
Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
E
consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que
formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade...
De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em
verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um
terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o
futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando
ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria
rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas
e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a
barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam,
com os antigos, uma fé nova e vivaz.
A
verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de
outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o
mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço
infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
Daí
a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim
e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve
tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
—
Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
Vilela
não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para
uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao
fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela
gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.
a) Apresentar os elementos da narrativa: personagens(características físicas e psicológicas, espaço, tempo, foco narrativo e enredo).
b) Apresentar pelo menos três figuras de linguagem encontradas no conto.
c) Analisar duas situações no conto em que Machado faz uso da ironia.
d) Escolha 10 palavras para apresentar o campo semântico que determina o eixo narrativo do conto. Justifique a escolha das palavras.
e) Reescrever o final do conto a partir do desfecho.
OBSERVAÇÕES:
Valor da atividade: 2,0 pontos.
Deverá ser digitado.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Mestres da Literatura - José de Alencar - link
Galera,
Este é o link para acessar o vídeo sobre José de Alencar:
http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=1349
Vejam novamente.
Beijos,
Delma
Este é o link para acessar o vídeo sobre José de Alencar:
http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=1349
Vejam novamente.
Beijos,
Delma
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