segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Exercícios para primeira quinzena de outubro/13

Todos os exercícios do capítulo 9(Apenas as respostas no caderno)

E os exercícios das pp. 230 a 234(Exercícios do Enem, vestibulares e avaliações oficiais).
Como se trata de exercícios objetivos, copiem o comando da questão e a alternativa correta de cada questão no seu caderno. Outra possibilidade é tirar cópia dessas páginas, responder e colar no seu caderno.
Isso vale nota para o quarto bimestre.
Vou olhar na semana de 16/10 a 18/10(conforme o horário de sua turma).


Prof. Delma

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Meu e-mail

Alguns pais solicitaram meu e-mail: dvx1411@hotmail.com.


Profª Delma Xoteslem

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Trabalho de Literatura 3º bimestre

O trabalho envolve a leitura de duas obras clássicas da Literatura Brasileira e Universal. É necessária uma leitura contextualizada, uma leitura crítica. Não basta apenas passar os olhos sobre os livros, de maneira despreocupada e desatenta. 

Objetivo geral: Observar e demonstrar por diversos meios(dramatização, debate e jornal) a intertextualidade entre as obras lidas e promover uma discussão sobre os diversos temas que são trabalhados em cada obra.
 
O trabalho compreende diversas etapas e serão contempladas ao final com a apresentação no auditório.
 

CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
 

Leitura das obras: 10/7  a  30/8/2013

1ª etapa: leitura de dois livros em cada turma.
 

2º A – Dom Casmurro (Machado de Assis) e O bom ladrão (Fernando Sabino)
 

2º B – Dom Casmurro (Machado de Assis) e O cortiço (Aluisio Azevedo)
 

2º C – Dom Casmurro (Machado de Assis) e O primo Basílio (Eça de Queirós)
 

2º D – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Quincas Borba (Machado de Assis)
 

2º E – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Memórias Póstumas de Brás Cubas  (Machado de Assis)
 

2º F – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Madame Bovary  (Gustave Flaubert)
 

2º G – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Casa de pensão (Aluisio Azevedo)

Avaliação escrita sobre as obras:
valor – 1,0 ponto

2º A: 30/8
2º B: 30/8
2º C:
 3/9
2º D:
 2/9
2º E:
 4/9
2º F: 30/8
2º G: 3/9

A turma será dividida em grupos para uma apresentação posterior em data a ser informada.
 Valor: 3,0 pontos

• Um grupo maior da turma será responsável pela dramatização de um roteiro que será criado por eles, envolvendo as duas histórias dos livros lidos. (cerca de 20 alunos)
• Debate- outro grupo promoverá um debate com os alunos que assistirem à dramatização, visando levantar os eixos temáticos trabalhados nas obras.Lembrando-se de apoiar esse debate nas diversas disciplinas que tratam dos assuntos trabalhados nos livros.O grupo deverá criar mecanismos para que as pessoas participem dos debates(ex.: textos, vídeos, músicas, etc).
 (12 alunos)

• Outro grupo deverá elaborar um jornal.
O jornal - deverá conter as seguintes seções: 
- editorial
 
- reportagem sobre os temas, escola literária, autores
 
- entrevista com os autores(elaborada de acordo com as pesquisas feitas sobre os mesmos)
 
- charges
 
- tirinhas
 
- propaganda
 (sempre relacionadas ao tempo em que foram escritos os livros)
- análise das personalidades femininas
das personagens dos livros 
- crônica
 
- resenha dos dois livros
 
- classificados
 
- coluna social(dos personagens dos livros)
 
Obs.: O jornal deverá ser criado pelo grupo. As cópias da internet serão apenadas.

A turma terá até 30 minutos para apresentar a dramatização. Outras turmas irão assisti-los de acordo com programação a ser informada posteriormente.
Logo após a apresentação do teatro,  o grupo do debate terá mais 30 minutos para desenvolver o debate.
 
Ao final o grupo do jornal entregará um exemplar para cada aluno que estiver assistindo à peça.
 
Maiores informações serão dadas no início do terceiro bimestre.

A intenção desta postagem é que vocês possam se adiantar lendo as obras.


Bom recesso!

Profª Delma Xoteslem



domingo, 23 de junho de 2013

Dúvidas sobre o exercício e sobre o trabalho do conto

Galerinha,

É o seguinte:

O trabalho sobre o conto "A cartomante" deverá ser feito em grupo de 4 a 6 pessoas.
Deve ser digitado.
Data de entrega: 26/6
Valor: 2,0 pontos.


Sobre o exercício de morfossintaxe:

Valor: até 1 ponto extra
Todos que quiserem podem fazê-lo.
Data de entrega: 26/6
Vocês podem imprimir o arquivo e responder na folha impressa. Responder a caneta.



Beijos.

Profª Delma




sexta-feira, 21 de junho de 2013

Exercício para ponto extra

Exercícios de Morfossintaxe

Leia o texto abaixo, escolha cinco orações e depois faça a análise morfossintática destas.

Pardalzinho
Manuel Bandeira

O pardalzinho nasceu
Livre. /Quebraram-lhe a asa./
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos./
Foram cuidados em vão:/
A casa era uma prisão,/
O pardalzinho morreu./
O corpo Sacha enterrou
No jardim; /a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!/


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2. Classifique o sujeito dos verbos destacados, de acordo com o seguinte código:

A) sujeito simples
B) sujeito composto
C) sujeito indeterminado
D) oração sem sujeito
E) sujeito implícito 


I.  Um pouco mais à frente, observei um movimento inusitado de pessoas. (      )

II. A cárie e os preços dos dentistas destroem a boca do brasileiro. (      )

III. Desta vez cercaram a classe média: menos salário, mais inflação. (      )

IV. O ribeirão mudou de tom. (     )

V. Já faz alguns anos que Bergman vem sendo criticado pelos amantes do cinema. (     )



3. Dê a função sintática dos termos destacados nas orações abaixo:


a) Os reféns foram libertados pelos sequestradores. ______________________________

b) A empreiteira entregou a obra com atraso. ___________________________

c) Os cientistas desconfiaram das informações. __________________________ 

d) Os políticos da oposição pressionaram o governo. ___________________________

e) Os ecologistas protestaram contra a queima da floresta. ______________________

f) Sua resposta foi ofensiva ao povo. _____________________

g) A cidade dormia quieta. ___________________

h) O júri considerará péssimo o excelente candidato._________________________

i) A dona da pensão, uma velhota de cabelos desbotados, elogiou a moça. _________________________

j) Os jogadores andam pelo gramado cansados. ______________________

k) Acorda, Maria, é dia de festival.

m) O senhor dá licença de um aparte, seu José? ________________________  


4. Nas questões que seguem, ocorrem duas orações distintas: uma com predicado verbal, outra com predicado nominal.

Transforme as duas numa só, com predicado verbo-nominal.

a)  O dia amanheceu.                    O dia estava cinzento.


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b) O menino fugiu da surra.         O menino estava assustado.


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c) Márcia e Francisco casaram-se.           Eles estavam contrariados.


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d) A menina abriu os olhos.                  A menina estava pasmada.


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5. Leia o texto abaixo atentamente:

Quando hoje eu acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei. 

Manuel Bandeira

a) Retire do texto a frase cujo verbo, geralmente intransitivo, está empregado transitivamente no poema:


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b) Dê a função sintática dos termos destacados no texto.

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TRABALHO  EM GRUPO SOBRE  O CONTO  “A CARTOMANTE”


A Cartomante -  Machado de Assis

                Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
                — Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade...
                — Errou! interrompeu Camilo, rindo.
                — Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
                Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...
                — Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
                — Onde é a casa?
                — Aqui perto, na Rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.
                Camilo riu outra vez:
                — Tu crês deveras nessas cousas? perguntou-lhe.
                Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muita cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.
                Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento: limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
                Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.
                Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.
                — É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo, falava sempre do senhor.
                Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.
                Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.
                Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela, era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di feminina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração, não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o cercam.
                Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura, mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
                Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
                Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.
                Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
                — Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com as das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
                Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar asuspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem , em caso de necessidade,
e separaram-se com lágrimas.
                No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela:"Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
                — Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os olhos no papel.

                Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando da pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.
                Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas, ou então, — o que era ainda pior, — eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. "Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Ditas assim, pela voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéia, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do Largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
                "Quanto antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim..."
                Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar, a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que
ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
                Camilo reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar à primeira travessa, e ir por outro caminho: ele respondeu que não, que esperasse. E
inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:
                — Anda! agora! empurra! vá! vá!
                Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas: mas a voz do marido sussurrava-lhe a orelhas as palavras da carta: "Vem, já, já..." E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar . Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários: e a mesma frase do príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: "Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a
filosofia... " Que perdia ele, se... ?
                Deu por si na calçada, ao pé da porta: disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não, viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.
                A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo
dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
                — Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
                Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.
                — E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma cousa ou não...
                — A mim e a ela, explicou vivamente ele.
                A cartomante não sorriu: disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas. três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela. curioso e ansioso.
                — As cartas dizem-me...
                Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela: ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita... Camilo
estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
                — A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.
                Esta levantou-se, rindo.
                — Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...
                E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.
                — Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?
                — Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
                Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.
                — Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá, tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
                A cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante, alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre.  Entrou e seguiu a trote largo.
                Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
                — Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
                E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.
                A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
                Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
                — Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
                Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.




a) Apresentar os elementos da narrativa: personagens(características físicas e psicológicas,  espaço, tempo, foco narrativo e enredo).
b) Apresentar pelo menos três figuras de linguagem encontradas no conto.
c)  Analisar duas situações no conto  em que Machado faz uso da ironia.
d) Escolha 10 palavras para   apresentar o campo semântico que determina o eixo narrativo do conto. Justifique a escolha das palavras.
e)  Reescrever o final do conto a partir do desfecho.


            OBSERVAÇÕES:
            Valor da atividade: 2,0 pontos.
           Deverá ser digitado.
             
             O conto está disponível para livre download no site www.dominiopublico.gov.br
  










quinta-feira, 6 de junho de 2013

Mestres da Literatura - José de Alencar - link

Galera,

Este é o link para acessar o vídeo sobre José de Alencar:
http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=1349

Vejam novamente.

Beijos,

Delma

sábado, 16 de março de 2013

Orientações do Trabalho sobre o Romantismo


Língua Portuguesa
Prof. Delma

Trabalho bimestral sobre Romantismo

Objetivo: os alunos e as alunas deverão, durante o processo de elaboração do trabalho e ao final dele, serem capazes de:

1. Identificar as características do estilo de época Romantismo, bem como analisar textos desse período literário.
2. Diferenciar “Romantismo” de “romantismo”.
3 – Desenvolver as habilidades sociais e emocionais a partir do estudo de uma escola literária.

                PROCEDIMENTO: A turma será dividida em grupos conforme as habilidades individuais de cada um.
                a) Declamação de poesia – oito alunos (as) – As poesias serão escolhidas pela professora e sorteadas no grupo. No dia da apresentação, cada aluno deverá declamar sua poesia de cor. Serão quatro poesias do Romantismo (uma da primeira geração, uma da segunda geração, uma da terceira geração e uma quarta poesia de qualquer uma das gerações) e quatro poesias românticas contemporâneas.
                Critérios de avaliação: memorização, caracterização, entonação e criatividade.

                b) Músicas a serem cantadas – oito alunos (as) – O grupo apresentará quatro músicas representativas de várias décadas do séc. XX e da primeira década do séc. XX (as músicas serão selecionadas pela professora).  O grupo deverá oportunizar uma forma de o auditório acompanhar a música(ou seja, a letra deverá ser distribuída ou projetada no data-show). A cada apresentação um elemento do grupo deverá apresentar de forma sucinta a biografia do autor e mostrar pelo menos uma característica do Romantismo que se percebe em cada música.
                Critérios de avaliação: memorização da letra, afinação, criatividade, caracterização e empolgação.

                c) Breve encenação de um conto da obra Noite na Taverna – seis alunos (as) – O grupo deverá adaptar o conto (gênero narrativo) para o gênero dramático (teatral) e encená-lo em até doze minutos. O livro “Noite na taverna” é composto de sete contos. O grupo terá liberdade para escolher um deles.
                Critérios de avaliação: criatividade, desempenho cênico, caracterização, adaptação.

                d) Explanação das poesias declamadas – quatro alunos (as) – Uma poesia romântica atual será declamada e, em seguida, uma do Romantismo. Após a declamação das duas poesias, um componente deste  grupo irá expor, de forma sucinta(no máximo cinco minutos), a diferença entre elas, de forma que, para o ouvinte, não haja dúvida acerca da dicotomia entre romantismo e Romantismo.
                Critérios de avaliação: clareza, objetividade, desenvoltura, segurança na explanação.

                e) Exposição teórica sobre o Romantismo – dois alunos (as) – Esses(as) alunos(as)            deverão apresentar as características do Romantismo e uma breve contextualização histórica.
                    Critérios de avaliação: clareza, objetividade, desenvoltura, segurança na explanação.

                f) Lembranças – quatro alunos (as) – As duas turmas que serão convidadas para assistir ao trabalho no auditório serão presenteadas com algo que tenha uma relação direta com o Romantismo ou com o romantismo. Uma faixa, cartaz ou banner será confeccionado para ser colocado na entrada do auditório no dia da apresentação. As lembranças deverão ser feitas pelo grupo e não simplesmente compradas.
                Critérios de avaliação: criatividade, acabamento, beleza, relação com o tema.

                g) Documentação, som e imagem –  três alunos (as) – Esse grupo dará suporte a aqueles que irão apresentar o trabalho. Providenciarão a iluminação, a trilha sonora, a mídia e a documentação (gravação) de todo o trabalho em um CD para que cada aluno da turma possa ter, no futuro, uma lembrança real de momentos vividos no CEMTM.
                Critérios de avaliação: criatividade, iniciativa, adequação da estratégia adotada ao momento.

                h) Jornal– cinco ou seis  alunos (as) – Esse jornal  será feito para dissecar as características do Romantismo x romantismo, e deverá ser afixado na parede interna da sala A5, conforme o espaço disponível. Deverá conter as características principais do Romantismo, exemplos em poesias, breve biografia dos principais autores. Na segunda seção, a diferença entre Romantismo e romantismo e exemplos de romantismo em músicas, filmes e imagens contemporâneas.  O jornal deverá ser feito em papel A4 e os alunos podem usar o programa Publisher do Office. Caso queiram montar um mural com as páginas do jornal, deverão providenciar uma maneira de pendurá-lo e não colar nas paredes da escola. Além disso, devem imprimir um exemplar para entregar à professora. A entrega do jornal com
a divulgação na sala ou no mural será o mesmo dia da apresentação da turma.
                Critérios de avaliação: beleza, material utilizado, fidelidade às orientações, criatividade.

                OBSERVAÇÕES:
                1 – Valor da atividade: 3,0 no segundo bimestre,  sendo que 1,5 individual e 1,5 para a turma.
                2 – Independente da divisão dos grupos, haverá um coordenador geral para toda a atividade.
                3 – A ausência de algum aluno no dia da apresentação implica nota zero.      
                4 – Cada grupo deverá escolher um representante para elaboração de um relatório sobre a participação dos componentes.
                5 – Cada grupo deverá interagir com os demais grupos. A interação e a cooperação são a chave do sucesso do conjunto.
                6 – Data de apresentação do trabalho no auditório:  do dia 2/4 a 5/4 conforme calendário divulgado em sala.