Exercícios para primeira quinzena de outubro/13
Todos os exercícios do capítulo 9(Apenas as respostas no caderno)
E os exercícios das pp. 230 a 234(Exercícios do Enem, vestibulares e avaliações oficiais).
Como se trata de exercícios objetivos, copiem o comando da questão e a alternativa correta de cada questão no seu caderno. Outra possibilidade é tirar cópia dessas páginas, responder e colar no seu caderno.
Isso vale nota para o quarto bimestre.
Vou olhar na semana de 16/10 a 18/10(conforme o horário de sua turma).
Prof. Delma
"Mestre não é sempre quem ensina, mas de repente quem aprende." (Guimarães Rosa)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Trabalho de Literatura 3º bimestre
O trabalho envolve a leitura de duas obras
clássicas da Literatura Brasileira e Universal. É necessária uma leitura
contextualizada, uma leitura crítica. Não basta apenas passar os olhos sobre os
livros, de maneira despreocupada e desatenta.
Objetivo geral: Observar e demonstrar por diversos meios(dramatização, debate e jornal) a intertextualidade entre as obras lidas e promover uma discussão sobre os diversos temas que são trabalhados em cada obra.
O trabalho compreende diversas etapas e serão contempladas ao final com a apresentação no auditório.
Objetivo geral: Observar e demonstrar por diversos meios(dramatização, debate e jornal) a intertextualidade entre as obras lidas e promover uma discussão sobre os diversos temas que são trabalhados em cada obra.
O trabalho compreende diversas etapas e serão contempladas ao final com a apresentação no auditório.
CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO DO TRABALHO:
Leitura das obras: 10/7 a 30/8/2013
1ª etapa: leitura de dois livros em cada turma.
2º A – Dom Casmurro (Machado de Assis) e O bom ladrão (Fernando Sabino)
2º B – Dom Casmurro (Machado de Assis) e O cortiço (Aluisio Azevedo)
2º C – Dom Casmurro (Machado de Assis) e O primo Basílio (Eça de Queirós)
2º D – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Quincas Borba (Machado de Assis)
2º E – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
2º F – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Madame Bovary (Gustave Flaubert)
2º G – Dom Casmurro (Machado de Assis) e Casa de
pensão (Aluisio Azevedo)
Avaliação escrita sobre as obras: valor – 1,0 ponto
Avaliação escrita sobre as obras: valor – 1,0 ponto
2º A: 30/8
2º B: 30/8
2º C: 3/9
2º D: 2/9
2º E: 4/9
2º F: 30/8
2º G: 3/9
A turma será dividida em grupos para uma
apresentação posterior em data a ser informada.
Valor:
3,0 pontos
• Um grupo maior da turma será responsável pela dramatização de um roteiro que será criado por eles, envolvendo as duas histórias dos livros lidos. (cerca de 20 alunos)
• Debate- outro grupo promoverá um debate com os alunos que assistirem à dramatização, visando levantar os eixos temáticos trabalhados nas obras.Lembrando-se de apoiar esse debate nas diversas disciplinas que tratam dos assuntos trabalhados nos livros.O grupo deverá criar mecanismos para que as pessoas participem dos debates(ex.: textos, vídeos, músicas, etc). (12 alunos)
• Outro grupo deverá elaborar um jornal.
O jornal - deverá conter as seguintes seções:
- editorial
- reportagem sobre os temas, escola literária, autores
- entrevista com os autores(elaborada de acordo com as pesquisas feitas sobre os mesmos)
- charges
- tirinhas
- propaganda (sempre relacionadas ao tempo em que foram escritos os livros)
- análise das personalidades femininas das personagens dos livros
- crônica
- resenha dos dois livros
- classificados
- coluna social(dos personagens dos livros)
Obs.: O jornal deverá ser criado pelo grupo. As cópias da internet serão apenadas.
A turma terá até 30 minutos para apresentar a dramatização. Outras turmas irão assisti-los de acordo com programação a ser informada posteriormente.
Logo após a apresentação do teatro, o grupo do debate terá mais 30 minutos para desenvolver o debate.
Ao final o grupo do jornal entregará um exemplar para cada aluno que estiver assistindo à peça.
- editorial
- reportagem sobre os temas, escola literária, autores
- entrevista com os autores(elaborada de acordo com as pesquisas feitas sobre os mesmos)
- charges
- tirinhas
- propaganda (sempre relacionadas ao tempo em que foram escritos os livros)
- análise das personalidades femininas das personagens dos livros
- crônica
- resenha dos dois livros
- classificados
- coluna social(dos personagens dos livros)
Obs.: O jornal deverá ser criado pelo grupo. As cópias da internet serão apenadas.
A turma terá até 30 minutos para apresentar a dramatização. Outras turmas irão assisti-los de acordo com programação a ser informada posteriormente.
Logo após a apresentação do teatro, o grupo do debate terá mais 30 minutos para desenvolver o debate.
Ao final o grupo do jornal entregará um exemplar para cada aluno que estiver assistindo à peça.
Maiores informações serão dadas
no início do terceiro bimestre.
A intenção desta postagem é que
vocês possam se adiantar lendo as obras.
Bom recesso!
Profª Delma Xoteslem
domingo, 23 de junho de 2013
Dúvidas sobre o exercício e sobre o trabalho do conto
Galerinha,
É o seguinte:
O trabalho sobre o conto "A cartomante" deverá ser feito em grupo de 4 a 6 pessoas.
Deve ser digitado.
Data de entrega: 26/6
Valor: 2,0 pontos.
Sobre o exercício de morfossintaxe:
Valor: até 1 ponto extra
Todos que quiserem podem fazê-lo.
Data de entrega: 26/6
Vocês podem imprimir o arquivo e responder na folha impressa. Responder a caneta.
Beijos.
Profª Delma
É o seguinte:
O trabalho sobre o conto "A cartomante" deverá ser feito em grupo de 4 a 6 pessoas.
Deve ser digitado.
Data de entrega: 26/6
Valor: 2,0 pontos.
Sobre o exercício de morfossintaxe:
Valor: até 1 ponto extra
Todos que quiserem podem fazê-lo.
Data de entrega: 26/6
Vocês podem imprimir o arquivo e responder na folha impressa. Responder a caneta.
Beijos.
Profª Delma
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Exercício para ponto extra
Exercícios de Morfossintaxe
Leia o texto abaixo, escolha cinco orações e depois faça a análise morfossintática destas.
Leia o texto abaixo, escolha cinco orações e depois faça a análise morfossintática destas.
Pardalzinho
Manuel Bandeira
O pardalzinho nasceu
Livre. /Quebraram-lhe a asa./
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos./
Foram cuidados em vão:/
A casa era uma prisão,/
O pardalzinho morreu./
O corpo Sacha enterrou
No jardim; /a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!/
Manuel Bandeira
O pardalzinho nasceu
Livre. /Quebraram-lhe a asa./
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos./
Foram cuidados em vão:/
A casa era uma prisão,/
O pardalzinho morreu./
O corpo Sacha enterrou
No jardim; /a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!/
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2. Classifique o sujeito dos verbos destacados, de acordo com o seguinte código:
A) sujeito simples
B) sujeito composto
C) sujeito indeterminado
D) oração sem sujeito
E) sujeito implícito
I. Um pouco mais à frente, observei um movimento inusitado de pessoas. ( )
II. A cárie e os preços dos dentistas destroem a boca do brasileiro. ( )
III. Desta vez cercaram a classe média: menos salário, mais inflação. ( )
IV. O ribeirão mudou de tom. ( )
V. Já faz alguns anos que Bergman vem sendo criticado pelos amantes do cinema. ( )
3. Dê a função sintática dos termos destacados nas orações abaixo:
a) Os reféns foram libertados pelos sequestradores. ______________________________
b) A empreiteira entregou a obra com atraso. ___________________________
c) Os cientistas desconfiaram das informações. __________________________
d) Os políticos da oposição pressionaram o governo. ___________________________
e) Os ecologistas protestaram contra a queima da floresta. ______________________
f) Sua resposta foi ofensiva ao povo. _____________________
g) A cidade dormia quieta. ___________________
h) O júri considerará péssimo o excelente candidato._________________________
i) A dona da pensão, uma velhota de cabelos desbotados, elogiou a moça. _________________________
j) Os jogadores andam pelo gramado cansados. ______________________
k) Acorda, Maria, é dia de festival.
m) O senhor dá licença de um aparte, seu José? ________________________
4. Nas questões que seguem, ocorrem duas orações distintas: uma com predicado verbal, outra com predicado nominal.
Transforme as duas numa só, com predicado verbo-nominal.
a) O dia amanheceu. O dia estava cinzento.
_____________________________________________________________
b) O menino fugiu da surra. O menino estava assustado.
_____________________________________________________________
c) Márcia e Francisco casaram-se. Eles estavam contrariados.
______________________________________________________________
d) A menina abriu os olhos. A menina estava pasmada.
______________________________________________________________
5. Leia o texto abaixo atentamente:
Quando hoje eu acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
Manuel Bandeira
a) Retire do texto a frase cujo verbo, geralmente intransitivo, está empregado transitivamente no poema:
___________________________________________________________________
b) Dê a função sintática dos termos destacados no texto.
___________________________________________________________________
TRABALHO EM GRUPO SOBRE O CONTO
“A CARTOMANTE”
A Cartomante - Machado de Assis
Hamlet
observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa
filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa
sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera
consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
—
Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que
fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse
o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de
uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas,
combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse,
mas que não era verdade...
—
Errou! interrompeu Camilo, rindo.
—
Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa.
Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
Camilo
pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito,
que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum
receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que
era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...
—
Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
—
Onde é a casa?
—
Aqui perto, na Rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa;
eu não sou maluca.
Camilo
riu outra vez:
—
Tu crês deveras nessas cousas? perguntou-lhe.
Foi
então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia
muita cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência;
mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela
agora estava tranqüila e satisfeita.
Cuido
que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também
ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de
crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que
deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele,
como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo
depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não
poderia dizê-lo, não possuía um só argumento: limitava-se a negar tudo. E digo mal,
porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério,
contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
Separaram-se
contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não
só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes,
e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa
do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de
Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde
residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da
cartomante.
Vilela,
Camilo e Rita, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação das origens. Vamos
a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de
magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria
vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe
lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província,
onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir
banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a
bordo recebê-lo.
—
É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é
seu amigo, falava sempre do senhor.
Camilo
e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou
de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido.
Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e
interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte
e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o
parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e
prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a
natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem
intuição.
Uniram-se
os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e
nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela
cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do
coração, e ninguém o faria melhor.
Como
daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar
as horas ao lado dela, era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas
principalmente era mulher e bonita. Odor di feminina: eis o que ele aspirava
nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros,
iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam
às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as
cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita
vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes
insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente
e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que
ele pôde ler no próprio coração, não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho.
Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha
caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos
ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o
cercam.
Camilo
quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando
dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o
veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos,
desejos, tudo sentiu de mistura, mas a batalha foi curta e a vitória delirante.
Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram
ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos,
sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do
outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
Um
dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido,
e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar
as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências.
Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou
astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode
ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de
diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
Foi
por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para
consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante
restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez.
Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas,
tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de
algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas,
formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem
papel; só o interesse é ativo e pródigo.
Nem
por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela,
e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
—
Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com as das cartas
que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
Nenhuma
apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando
pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso
deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o
marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio
particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar
asuspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas.
Combinaram os meios de se corresponderem , em caso de necessidade,
e separaram-se com lágrimas.
No
dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de
Vilela:"Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Era
mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais
natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria
especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele
combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
—
Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os
olhos no papel.
Imaginariamente,
viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela
indignado, pegando da pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e
esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo,
e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho,
lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse
tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos
parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da
própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora
tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um
pretexto fútil, viria confirmar o resto.
Camilo
ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam
decoradas, diante dos olhos, fixas, ou então, — o que era ainda pior, — eram-lhe
murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. "Vem já, já, à nossa casa;
preciso falar-te sem demora." Ditas assim, pela voz do outro, tinham um
tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da
tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria
passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a
cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a
precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéia, vexado de si mesmo, e
seguia, picando o passo, na direção do Largo da Carioca, para entrar num
tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
"Quanto
antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim..."
Mas
o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não
tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi
teve de parar, a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em
si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que
ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi,
ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele
desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando
todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua.
Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
Camilo
reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária,
e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as
velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar à primeira
travessa, e ir por outro caminho: ele respondeu que não, que esperasse. E
inclinava-se para fitar a casa...
Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe
passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu,
reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as
asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens,
safando a carroça:
—
Anda! agora! empurra! vá! vá!
Daí
a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em
outras cousas: mas a voz do marido sussurrava-lhe a orelhas as palavras da carta:
"Vem, já, já..." E ele via as contorções do drama e tremia. A casa
olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar . Camilo achou-se diante de
um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A
voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários: e a mesma frase do
príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: "Há mais cousas no céu e na
terra do que sonha a
filosofia... " Que perdia ele,
se... ?
Deu
por si na calçada, ao pé da porta: disse ao cocheiro que esperasse, e rápido
enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos
pés, o corrimão pegajoso; mas ele não, viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não
aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe
o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas.
Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo
entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura.
Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado
dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava
do que destruía o prestígio.
A
cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas
para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo.
Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto
as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo
dos olhos. Era uma mulher de quarenta
anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três
cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
—
Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
Camilo,
maravilhado, fez um gesto afirmativo.
—
E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma cousa ou não...
—
A mim e a ela, explicou vivamente ele.
A
cartomante não sorriu: disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das
cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as
bem, transpôs os maços, uma, duas. três vezes; depois começou a estendê-las.
Camilo tinha os olhos nela. curioso e ansioso.
—
As cartas dizem-me...
Camilo
inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não
tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro,
ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela: ferviam invejas e
despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita... Camilo
estava deslumbrado. A cartomante
acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
—
A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima
da mesa e apertando a da cartomante.
Esta
levantou-se, rindo.
—
Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...
E
de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se
fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda,
sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las
e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa
mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair,
não sabia como pagasse; ignorava o preço.
—
Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar
buscar?
—
Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
Camilo
tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O
preço usual era dois mil-réis.
—
Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor.
Vá, vá, tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
A
cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com
um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava
à rua, enquanto a cartomante, alegre com a paga, tornava acima, cantarolando
uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.
Tudo
lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava
límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou
os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é
que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que
fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
—
Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
E
consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que
formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade...
De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em
verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um
terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o
futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando
ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria
rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas
e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a
barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam,
com os antigos, uma fé nova e vivaz.
A
verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de
outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o
mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço
infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
Daí
a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim
e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve
tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
—
Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
Vilela
não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para
uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao
fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela
gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.
a) Apresentar os elementos da narrativa: personagens(características físicas e psicológicas, espaço, tempo, foco narrativo e enredo).
b) Apresentar pelo menos três figuras de linguagem encontradas no conto.
c) Analisar duas situações no conto em que Machado faz uso da ironia.
d) Escolha 10 palavras para apresentar o campo semântico que determina o eixo narrativo do conto. Justifique a escolha das palavras.
e) Reescrever o final do conto a partir do desfecho.
OBSERVAÇÕES:
Valor da atividade: 2,0 pontos.
Deverá ser digitado.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Mestres da Literatura - José de Alencar - link
Galera,
Este é o link para acessar o vídeo sobre José de Alencar:
http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=1349
Vejam novamente.
Beijos,
Delma
Este é o link para acessar o vídeo sobre José de Alencar:
http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=1349
Vejam novamente.
Beijos,
Delma
sábado, 16 de março de 2013
Orientações do Trabalho sobre o Romantismo
Língua Portuguesa
Prof. Delma
Trabalho bimestral
sobre Romantismo
Objetivo: os alunos e as alunas deverão, durante o processo
de elaboração do trabalho e ao final dele, serem capazes de:
1. Identificar as características do estilo de época Romantismo,
bem como analisar textos desse período literário.
2. Diferenciar “Romantismo” de “romantismo”.
3 –
Desenvolver as habilidades sociais e emocionais a partir do estudo de uma
escola literária.
PROCEDIMENTO: A turma
será dividida em grupos conforme as habilidades individuais de cada um.
a) Declamação de poesia – oito
alunos (as) – As poesias serão escolhidas pela professora e
sorteadas no grupo. No dia da apresentação, cada aluno deverá declamar sua
poesia de cor. Serão quatro poesias do Romantismo (uma da primeira geração, uma
da segunda geração, uma da terceira geração e uma quarta poesia de qualquer uma
das gerações) e quatro poesias românticas contemporâneas.
Critérios de
avaliação: memorização, caracterização, entonação e criatividade.
b) Músicas a serem cantadas –
oito alunos (as) – O grupo apresentará quatro músicas representativas
de várias décadas do séc. XX e da primeira década do séc. XX (as músicas serão
selecionadas pela professora). O grupo
deverá oportunizar uma forma de o auditório acompanhar a música(ou seja, a
letra deverá ser distribuída ou projetada no data-show). A cada apresentação um
elemento do grupo deverá apresentar de forma sucinta a biografia do autor e
mostrar pelo menos uma característica do Romantismo que se percebe em cada
música.
Critérios de
avaliação: memorização da letra, afinação, criatividade, caracterização e
empolgação.
c) Breve encenação de um conto
da obra Noite na Taverna – seis alunos (as) – O grupo deverá adaptar o
conto (gênero narrativo) para o gênero dramático (teatral) e encená-lo em até
doze minutos. O livro “Noite na taverna” é composto de sete contos. O grupo
terá liberdade para escolher um deles.
Critérios de
avaliação: criatividade, desempenho cênico, caracterização, adaptação.
d) Explanação das poesias
declamadas – quatro alunos (as) – Uma poesia romântica atual será
declamada e, em seguida, uma do Romantismo. Após a declamação das duas poesias,
um componente deste grupo irá expor, de
forma sucinta(no máximo cinco minutos), a diferença entre elas, de forma que,
para o ouvinte, não haja dúvida acerca da dicotomia entre romantismo e
Romantismo.
Critérios de
avaliação: clareza, objetividade, desenvoltura, segurança na explanação.
e) Exposição teórica sobre o Romantismo – dois
alunos (as) – Esses(as) alunos(as) deverão
apresentar as características do Romantismo e uma breve contextualização
histórica.
Critérios de
avaliação: clareza, objetividade, desenvoltura, segurança na explanação.
f) Lembranças – quatro alunos (as)
– As duas turmas que serão convidadas para assistir ao trabalho no
auditório serão presenteadas com algo que tenha uma relação direta com o
Romantismo ou com o romantismo. Uma faixa, cartaz ou banner será confeccionado
para ser colocado na entrada do auditório no dia da apresentação. As lembranças
deverão ser feitas pelo grupo e não simplesmente compradas.
Critérios de
avaliação: criatividade, acabamento, beleza, relação com o tema.
g) Documentação, som e imagem – três alunos (as) – Esse
grupo dará suporte a aqueles que irão apresentar o trabalho. Providenciarão a
iluminação, a trilha sonora, a mídia e a documentação (gravação) de todo o
trabalho em um CD
para que cada aluno da turma possa ter, no futuro, uma lembrança real de
momentos vividos no CEMTM.
Critérios de
avaliação: criatividade, iniciativa, adequação da estratégia adotada ao
momento.
h) Jornal– cinco ou seis alunos (as) – Esse
jornal será feito para dissecar as
características do Romantismo x romantismo, e deverá ser afixado na parede
interna da sala A5, conforme o espaço disponível. Deverá conter as características
principais do Romantismo, exemplos em poesias, breve biografia dos principais
autores. Na segunda seção, a diferença entre Romantismo e romantismo e exemplos
de romantismo em músicas, filmes e imagens contemporâneas. O jornal deverá ser feito em papel A4 e os
alunos podem usar o programa Publisher do Office. Caso queiram montar um mural
com as páginas do jornal, deverão providenciar uma maneira de pendurá-lo e não
colar nas paredes da escola. Além disso, devem imprimir um exemplar para
entregar à professora. A entrega do jornal com
a divulgação na sala ou no mural será o mesmo dia da apresentação da
turma.
Critérios de
avaliação: beleza, material utilizado, fidelidade às orientações, criatividade.
OBSERVAÇÕES:
1 – Valor da
atividade: 3,0 no segundo
bimestre, sendo que 1,5 individual e 1,5
para a turma.
2 – Independente da divisão dos grupos,
haverá um coordenador geral para toda a atividade.
3 – A ausência de algum aluno no dia da apresentação implica
nota zero.
4 – Cada grupo deverá escolher um
representante para elaboração de um relatório sobre a participação dos
componentes.
5 – Cada grupo deverá interagir com os
demais grupos. A interação e a cooperação são a chave do sucesso do conjunto.
6 – Data de
apresentação do trabalho no auditório: do dia 2/4 a 5/4 conforme calendário divulgado
em sala.
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