segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

2º C



Conto do livro "Noite na taverna":  Joahnn


Poesias do Romantismo:
Morte - Junqueira Freire
    Morte
    (Hora do delírio)

    Pensamento gentil de paz eterna
    Amiga morte, vem. Tu és o termo
    De dois fantasmas que a existência formam,
    — Dessa alma vã e desse corpo enfermo.

    Pensamento gentil de paz eterna,
    Amiga morte, vem. Tu és o nada,
    Tu és a ausência das moções da vida,
    do prazer que nos custa a dor passada.

    Pensamento gentil de paz eterna
    Amiga morte, vem. Tu és apenas
    A visão mais real das que nos cercam,
    Que nos extingues as visões terrenas.

    (...)

    Amei-te sempre: — pertencer-te quero
    Para sempre também, amiga morte.
    Quero o chão, quero a terra, - esse elemento
    Que não se sente dos vaivéns da sorte.

    (...)

    Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo:
    Por isso, ó morte, eu quero-te comigo.
    Leva-me à região da paz horrenda,
    Leva-me ao nada, leva-me contigo.
                                         

      Lembrança de morrer
             Álvares de Azevedo

      Quando em meu peito rebentar-se a fibra
      Que o espírito enlaça à dor vivente,
      Não derramem por mim nem uma lágrima
      Em pálpebra demente.

      E nem desfolhem na matéria impura
      A flor do vale que adormece ao vento:
      Não quero que uma nota de alegria
      Se cale por meu triste passamento.

      Eu deixo a vida como deixa o tédio
      Do deserto, o poento caminheiro
      — Como as horas de um longo pesadelo
      Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

      Como o desterro de minh'alma errante,
      Onde fogo insensato a consumia:
      Só levo uma saudade — é desses tempos
      Que amorosa ilusão embelecia.

      ...........................................................

      Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
      Se um suspiro nos seios treme ainda
      É pela virgem que sonhei... que nunca
      Aos lábios me encostou a face linda!

      ...........................................................

      Beijarei a verdade santa e nua,
      Verei cristalizar-se o sonho amigo....
      Ó minha virgem dos errantes sonhos,
      Filha do céu, eu vou amar contigo!

      Descansem o meu leito solitário
      Na floresta dos homens esquecida,
      À sombra de uma cruz, e escrevam nelas
      — Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—
       ...................................................................

      Olhos verdes - Gonçalves Dias
      Adormecida
      Castro Alves


      Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
      Numa rede encostada molemente...
      Quase aberto o roupão... solto o cabelo
      E o pé descalço do tapete rente.


      'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
      Exalavam as silvas da campina...
      E ao longe, num pedaço do horizonte,
      Via-se a noite plácida e divina.


      De um jasmineiro os galhos encurvados,
      Indiscretos entravam pela sala,
      E de leve oscilando ao tom das auras,
      Iam na face trêmulos — beijá-la.


      Era um quadro celeste!... A cada afago
      Mesmo em sonhos a moça estremecia...
      Quando ela serenava... a flor beijava-a...
      Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...


      Dir-se-ia que naquele doce instante
      Brincavam duas cândidas crianças...
      A brisa, que agitava as folhas verdes,
      Fazia-lhe ondear as negras tranças!


      E o ramo ora chegava ora afastava-se...
      Mas quando a via despeitada a meio,
      Pra não zangá-la... sacudia alegre
      Uma chuva de pétalas no seio...


      Eu, fitando esta cena, repetia
      Naquela noite lânguida e sentida:
      "Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
      "Virgem! - tu és a flor de minha vida!..."

Poesias românticas:

Aceitarás o amor como eu o encaro ?


......Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada.
Não desejo Também mais nada,
só te olhar, enquanto A realidade é simples,
e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições.
O encanto que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade

A mulher que passa
 (Vinícius de Moraes)

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
 

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
 

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?
 

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
 

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.


Teresa
             Manuel Bandeira

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
 
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
 
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Soneto da separação
                            (Vinícius de Moraes)
 

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
 

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
 

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
  

Músicas:

Seu olhar - Seu Jorge
Resposta - Skank
Pela luz dos teus olhos -Tom Jobim

Música em espanhol:  Corazón espinado- Santana